quinta-feira, 18 de novembro de 2010

"Minha culpa" de Florbela Espanca

Sei lá!Sei lá" Eu sei lá bem
Quem sou? Um fogo-fátuo, uma miragem...
Sou um reflexo...um canto de paisagem
Ou apenas cenário!Um vaivém

Como a sorte: hoje aqui, depois além!
Sei lá quem sou? Sei lá! Sou roupagem
De um doido que partiu numa romagem
E nunca mais voltou!E u sei lá quem !

Sou um verme que um dia quis ser astro...
Uma estátua truncada de alabastro...
Uma chaga sangrenta do Senhor...

Sei lá quem sou? Sei lá! Cumprindo os fados,
Num mundo de maldades e pecados,
Sou mais um mau, sou mais um pecador...

Florbela Espanca (1898-1930)
In: Sonetos, Martin Claret, 2005.

Maioria dos brasileiros nunca frequentou cinema e teatro nem foi a shows de música


Pesquisa divulgada pelo IPEA mostra a dificuldade de acesso à cultura no Brasil

A maior parte dos brasileiros nunca foi ao cinema, jamais assistiu a uma peça de teatro ou frequentou um show de música ou um museu. É o que revela uma pesquisa divulgada pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) nesta quarta-feira (17) com o título Sistema de Indicadores de Percepção Social.


Mais informações click aqui

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Mostra de Cinema e Direitos Humanos em Salvador

De 03 a 09 de dezembro, Salvador sedia a V Mostra de Cinema e Direitos Humanos na América do Sul, com filmes do Brasil, Argentina, Uruguai e Peru, entre outros países. A mostra, que é itinerante e já rodou outra capitais do país, traz na programação, que vocês podem consultar completinha aqui no site do evento, o longa inédito Abutres, de Pablo Trapero (o mesmo diretor do premiado Leonera e de Família Rodante, entre outros filmes da nova e excelente safra do cinema latino).


Quer saber mais?click aqui

terça-feira, 16 de novembro de 2010

"Leite Derramado", de Chico Buarque, vence o prêmio Jabuti


"Leite Derramado", de Chico Buarque, ganhou o prêmio Jabuti de livro do ano, mais tradicional premiação da literatura brasileira. A publicação foi a vencedora na categoria ficção, tanto na escolha de um júri formado por editores quanto do júri popular - este, uma novidade da edição deste ano.
Na categoria ficção, os vencedores foram "O Tempo e o Cão", de Maria Rita Kehl (júri) e "Linguagens Formais: Teoria, Modelagem e Implementação", de Marcus Vinícius Medena Ramos, João José Neto e Ítalo Santiago Vega (júri popular).
Os vencedores dessas quatro categorias foram anunciados nesta quinta-feira, em cerimônia na Sala São Paulo. Já os premiados nas outras categorias do Jabuti eram conhecidos desde o início de outubro.
"Leite Derramado", curiosamente, havia ficado em segundo lugar na categoria romance do ano, atrás de "Se Eu Fechar os Olhos Agora", de Edney Silvestre.
Veja abaixo os vencedores das outras dez categorias do Jabuti:
- Romance: "Se Eu Fechar os Olhos Agora" (Record), de Edney Silvestre
- Tradução: "O Leão e o Chacal Mergulhador" (Globo), traduzido por Mamede Mustafa Jarouche
- Teoria/Crítica Literária: "A Clave do Poético" (Companhia das Letras), de Benedito Nunes
- Reportagem: "O Leitor Apaixonado - Prazeres à Luz do Abajur" (Companhia das Letras), de Ruy Castro
- Biografia: "Nem Vem que Não Tem - A Vida e o Veneno de Wilson Simonal" (Globo), de Ricardo Alexandre
- Poesia: "Passageira em Trânsito" (Record), de Marina Colasanti
- Ciências Humanas: "Viver em Risco" (Editora 34), de Lucio Kowarick
- Contos e Crônicas: "Eu Perguntei pro Velho Se Ele Queria Morrer" (7Letras), de José Rezende Jr.
- Infantil: "Os Herdeiros e o Lobo" (Comboio da Corda), de Nelson Cruz
- Juvenil: "Avó Dezanove e o Segredo do Soviético" (Companhia das Letras), de Ondjaki

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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

"O Rio" de Idmar Boaventura


O Rio

Neste ponto do abismo
em que me lanço,
o rio.
Tortuoso, infindo, vário,
profundo é o abismo
em que mergulho.
E este rio de incontáveis
margens, de insondáveis
rios,
lambendo as pedras no caminho,
inflexível.

O que hei de fazer comigo?
Em que porto
hei de encontrar descanso,
em que leito encontrarei
abrigo?
Sigo com a correnteza
do abismo,
sou água, sou lama, granito.
Contorno as pedras
que em mim se desfazem
e me desfaço nelas.
Sou fragmentos,
matéria difusa, sou vário:
infinitamente rio
e abismo
de incontáveis margens.

(In: A outra margem. Fundação Pedro Calmon, 2008)

A outra margem é um título que suscita muitas abordagens, sobretudo quando o assunto é poesia e se tem como referência um escritor como João Guimarães Rosa, cuja linguagem é um manancial que banha a todos nós, os escritores contemporâneos de língua portuguesa.
As águas de Idmar Boaventura são as mesmas do mestre Rosa, mas são, também, outras bem diversas; digamos que umas se banham nas outras para seguirem seus cursos ainda mais límpidas. Idmar é consciente dessa confluência, e assim, solitário na pluralidade, é um "rio de infindáveis margens", que busca a terceira margem- lugar dos libertos.

(José Inácio Vieira de Melo)