sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Eu não tenho amigos homossexuais, tenho amigos!

imagem:  http://zeluizjunqueira.wordpress.com/2012/09/21/amigos/
                
         Outro dia me perguntaram por que eu tinha tantos amigos e amigas homossexuais. Então parei para fazer uma contagem rápida e percebi que, realmente, muitas pessoas com as quais tenho me relacionado melhor pertencem a esse grupo distinto da sociedade.  E digo distinto não no sentido de isolado, separado, mas usando a acepção que mais me agrada quando penso na palavra distinção: notável, que não se confunde.
            Na verdade, a pergunta foi feita desta maneira: você não acha que tem muitos amigos homossexuais? Aí eu senti um tom de malícia no questionamento e cuidei logo de organizar as ideias para fornecer uma reposta adequada, afinal, quem convive com um grupo de notáveis, não sai por aí levando rasteira de gente mal amada, que não sabe distinguir alho de bugalho, como diz o ditado popular.
            Foi aí que afirmei com a cara de desdém — coisa que sei fazer bem — e para o espanto do questionador, que eu não tinha amigos homossexuais, tinha amigos. E completei dizendo que eu nada podia fazer se eu preferia manter relações com pessoas agradáveis, inteligentes, divertidas e humanamente capazes de se relacionar sem se preocupar com a condição sexual do outro. Para constranger ainda mais um infeliz que me fez tal pergunta, continuei dizendo que, provavelmente, por não ter as qualidades já citadas, ele não pertencia ao meu grupo seleto de amigos.
            A pergunta, no mínimo idiota, serviu para que eu refletisse sobre o comportamento humano. Se eu estou cercada por homossexuais que me ajudam a ser melhor, que tornam momentos simples em grandes encontros, que conversam sobre coisas sensatas e riem sem medo do ridículo, amando a vida no que ela tem de mais intenso; e se estou, também, cercada por heterossexuais incapazes de compreender a diversidade, ou melhor, respeitar a diversidade, eu opto por amigos homossexuais. No entanto, não afirmo que todos os homossexuais são iguais, nem que todos os heteros sigam a linha dura e conservadora.
            Na verdade, acho que sou apenas mais uma privilegiada por atrair gente boa, gente que é gente de verdade, seja lá qual for a condição sexual. E se eu levar em consideração a humanidade dos meus amigos “coloridos”, jamais serei capaz de inibir qualquer aproximação por receio do que as pessoas possam pensar. Sabe por quê? Porque pessoas que pensam não saem por aí fazendo juízo de valor dos outros. E para pessoas que não pensam, eu não dedico um minuto do meu precioso tempo, pois ele deve ser gasto apenas com pessoas notáveis, distintas, inconfundíveis.



Elis Franco 27/12/13

4 comentários:

  1. Muito sensato e belo seu texto. Gostei muito dele apesar de igualmente você ter estabelecido juízo de valor aos rótulos. Ninguém pode ser melhor ou pior por uma característica que possui todos somos iguais. Não é a orientação da pessoa com quem você convive que vai determinar a inteligência ou mesmo o prazer pelo convívio que ela possa te trazer. Existem,por exemplo, homossexuais tão moralistas e preconceituosos quanto heteros e com certeza não é a orientação que nesse caso faz alguma diferença. Contudo, compreendi a msg parabéns!

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  2. Eu estou "se sentindo"! Principalmente no fim do texto.
    Sambou na cara da sociedade. Adorooooo.

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  3. Quanta verdade e sensibilidade...Obrigada por fazer parte do meu grupo seleto de amigos. Amei!

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  4. Anônimo, eu deixei claro que as características aqui apresentadas são dos meus amigos e, ao final do texto, afirmo justamente o que vc disse: nem todos os heteros ou homossexuais são iguais. Só quis mostrar que podemos estabelecer relação com todos, pois,o que realmente importa é o caráter da pessoa.

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