terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Vida: desejo e busca



            Quando percebo o findar de mais um ano, desejo que no ano vindouro eu me torne ainda mais erótica, mais infinitamente erótica. Na verdade, gostaria muito que as crianças, os jovens — sobretudo os jovens —, os adultos e idosos recebessem, a cada dia, uma alta dose de erotismo. E não estou aqui falando de sexo, sedução ou  qualquer outra coisa relacionada aos dois, mas em uma das concepções míticas do erótico: Eros é filho de Penia (Penúria), por isso, está sempre em movimento, em busca do que lhe falta.
            Como afirma o filósofo Platão em O banquete, “O que irrita na ignorância é precisamente isto: há pessoas que não são distintas nem sensatas, e declaram-se satisfeitas. Ora, quem ignora que lhe falta algo, não sente necessidade de nada”. É a consciência de não sabermos tudo que nos impulsionará ao aprendizado contínuo. É a percepção de não termos feito tudo que somos capazes que nos motivará à realização de novos feitos. Sentir-se pleno de conhecimento e realização é, de algum modo, afastar-se da ação erótica, pelo menos se acreditarmos na versão mítica.
            Por isso é que eu desejo uma erotização geral. Que a pulsão de vida esteja presente em cada pessoa, pois, onde falta espaço para o sonho, o desejo, a busca, certamente a vida começou a findar. Resta-nos, então, assumirmos a nossa carência, a nossa limitação no tempo e fora do tempo. E, assim como disse Guimarães Rosa, acreditarmos que “o mais importante e bonito, do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas — mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam”. Afinemo-nos e desafinemo-nos, afinal, a melodia da vida é feita de oscilações e não de monotonia.

Elis Franco 31/12/13

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