segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Livrai-me do ressentimento


                             Por Elis Franco

Ultimamente, tenho sentido muito medo da palavra ressentimento e seus derivados. Ou melhor, não é bem da palavra que tenho medo, mas das pessoas que demonstram atitudes ressentidas. Sei lá! É muito comum encontrarmos em nosso cotidiano pessoas que nos atingem em cheio com suas maledicências, suas desesperanças. Gente ferindo o outro por não saber lidar com sua incapacidade ou por não ter sabido lidar de forma adequada com algumas situações da vida.
Tenho a impressão de que o ressentido não sabe sentir. Não foi preparado para gerenciar suas emoções e afetos; ele não compreende que é normal sermos afetados pelos sentimentos, sejam eles positivos ou negativos, mas que não vale apena ressentir, sentir novamente e constantemente aquilo que não nos deixou uma marca desejável. O ressentido não se conforma com o fato de a vida não ter tomado o rumo que ele desejava, além de ter dificuldade para aceitar que, muitas vezes, o único culpado pelo seu desencaminhamento é ele mesmo.
É tão normal errarmos, não tomarmos a atitude certa no momento adequado; é tão normal fazermos escolhas precipitadas. Deveria, também, ser normal repensar a nossa caminhada, avaliando o que deveríamos ter feito para que as coisas saíssem do jeito que desejávamos. Mas para o ressentido é mais fácil culpar sempre o outro, acreditar que a glória do vizinho é indevida, que ele foi, é e sempre será um injustiçado.
Não entendo... Mas eu vou tratar de procurar uma oração, um mantra, um manual contra o ressentimento. Não quero (re) sentir o que não me traz paz, não quero descontar no outro os meus vazios e frustrações. E enquanto eu não encontro a oração adequada, resta-me adaptar a que já existe: livrai-me do ressentimento; livrai-me dos ressentidos. Amém!

1º de fevereiro de 2016






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