domingo, 18 de junho de 2017

Ser bom entre medíocres é fácil

Por Elis Franco
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Nas andanças da vida, as comparações e o juízo de valor são inevitáveis, independente da profissão ou papel social que escolhemos seguir. Para alguns, o peso do julgamento importa bastante, por isso, buscam destaque nem sempre da maneira mais coerente possível, ou seja, há quem, por incompetência ou preguiça de ser excelente, alie-se, a fim de sobressair-se, aos medíocres, àqueles que estão em condição de desempenho inferior ou igual ao seu, evitando partilhar momentos e experiências com quem apresenta, no momento, um nível maior de conhecimento ou de habilidade.
Duplo erro. Afinal, qual é a vantagem de ser bom entre aqueles que estão abaixo da ou na média? Qual a vantagem de não precisar expandir os conhecimentos, de não ter que ir além do previsto, de encarar os enfrentamentos e crescer com as discordâncias? Eu não estou querendo dizer que se deve apenas andar com os “melhores”. Não é isso, pois, estar ao lado dos medianos pode servir para exercitarmos o nosso desejo de excelência, desde quando isso não seja de forma pedante, mas solidária na partilha do saber, do criar e do agir.
Penso que desejar ser bom entre os bons implica um alargamento do que já somos. Não significa querer ser melhor que o outro, mas agir de modo a investir todo o potencial que se tem para realizar, de modo mais pleno, uma tarefa. Fugir dos considerados mais capazes é assumir a inferioridade, porém, sem desejar passar de fase, sem almejar aprender com o outro, negando-se a possibilidade de ser bom, apenas bom no que se faz, nem mais nem menos do que a nossa capacidade cognitiva e física nos permite em determinado momento.
É muito fácil ser bom poeta entre poetas esvaziados de metáforas; é muito fácil ser bom professor entre professores desmotivados, cujo entendimento é que basta dominar o conteúdo e garantirão a aprendizagem do aluno. Difícil é ter que reconhecer a fragilidade do que realizamos. Difícil é ter que olhar para o outro e reconhecer nele uma referência e, humildemente, desejar aprender a ser bom, não por imitação, mas através das estratégias utilizadas por alguém à frente de nós, ainda que apenas em um quesito.
Ser bom entre os bons exige de nós coragem para não se acomodar, exige que movamos as águas paradas das nossas ações. Ser bom entre os bons é exercício diário, é compreender o quanto somos limitados, mas também, o quanto temos uma capacidade imensa para superar as limitações. Melhor do que ser bom entre medíocres é saber-se não pleno, porém, diante do que nos falta, continuar trilhando o caminho que nos conduzirá ao melhor de nós.

18/06/2017

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