faz do corpo a própria tela,
em cada toque deixa marcas esculpidas,
um desenho aleatório: leve rabisco ou traço forte!
Que honra é ser mulher que tem a manha
de na cama recostar-se, ou no chuveiro,
e com dedos vagarosos, ou ligeiros,
ser plena senhora da própria sorte!
Que belo é ser mulher
que reconhece
em seu corpo os descaminhos necessários,
as ardências, volúpias, o imaginário,
entregando-se até que a taça transborde!
Mãos de mulher, tão afáveis e rijos dedos,
aprendestes a ser, para a vossa senhora,
mãos de fada, prendadas, habilidosas.
Elis Franco
In: Kama: poemas e contos eróticos.
Org. Ivan de Almeida. Salvador: Cogito, 2017.p. 27
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