sexta-feira, 6 de julho de 2018

Mãos de mulher


 Que glória é ser mulher que pinta e borda,
faz do corpo a própria tela,
em cada toque deixa marcas esculpidas,
um desenho aleatório: leve rabisco ou traço forte!

Que honra é ser mulher que tem a manha
de na cama recostar-se, ou no chuveiro,
e com dedos vagarosos, ou ligeiros, 
ser plena senhora da própria sorte!

Que  belo é ser mulher que reconhece
em seu corpo os descaminhos necessários,
as ardências, volúpias, o imaginário,
entregando-se até que a taça transborde!

Mãos de mulher, tão afáveis e rijos dedos,
aprendestes a ser, para a vossa senhora,
mãos de fada, prendadas, habilidosas.

Elis Franco

In: Kama: poemas e contos eróticos. Org. Ivan de Almeida. Salvador: Cogito, 2017.p. 27



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